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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Retiro de Inverno 2019 - Recanto Paraíso (Salto de Pirapora/SP)



altar


Quando planejava o Retiro, já sabia que seria sensacional, porque sentia uma vibração incrível no coração. 

Meus agradecimentos aos participantes, que vieram de Santo André, Campinas, Itu e Sorocaba. Agradeço a confiança em meu trabalho e a maravilhosa participação de cada um de vocês durante as vivências! 

Não tenho como agradecer à Família Hernandes, nossos anfitriões, proprietários do Recanto Paraíso - Sr. Milton, Sra. Neusa, Paula e Caio - novamente foi um imenso prazer estar com vocês em mais um Retiro de Yoga. O carinho e o cuidado especial com tudo e todos certamente fizeram com que nosso grau de imersão nas práticas pudesse ser o maior possível, valeu mesmo! 


Paula, Luis, Neusa, Milton e Capitão América


A recepção aos participantes foi descontraída, com muita conversa bacana, gente do Bem, alegre e cheia de vontade de iniciar o maravilhoso final de semana que estava por vir. 


pronto!


friozinho & caldinhos quentes!


Depois de montarmos todas as barracas, fizemos uma sessão de apresentações e explicações sobre nossa agenda dos dois dias. Depois, jantamos maravilhosos caldos quentinhos e seguimos para o Ritual do Fogo Sagrado. Estudamos sobre esse elemento tão importante em nossas vidas, e fizemos uma prática intensa de meditação de transmutação de energias. Tivemos a oportunidade de estudar Meditação com os ensinamentos do Swami Dayananda através de um de seus livros. Foi sensacional preparar a noite de sono com essa vivência tão marcante. 



Ritual do Fogo Sagrado


A noite foi muito gelada e o acampamento foi para os fortes... Aliás, esse foi um dos propósitos do Retiro de INVERNO!

camping


Depois da noite extremamente fria, com uma lua maravilhosa a clarear nosso vasto campo verde, iniciamos o dia com um despertar às 7h, já com prática de Meditação, estudo dos Yamas e Niyamas e Pranayamas e Ásanas.


sala de prática


Ativamos nosso Agni através da prática de Bhastrika e, devido ao frio, fizemos a prática de asanas em dupla, a qual ajudou para sentirmos o delicioso calor humano! Foi muito divertido e gostoso praticarmos cedinho e trocarmos excelentes energias uns com os outros.


yoga em dupla

casal querido


Seguimos, então, para o tão esperado desjejum, e contamos novamente com as delícias do Recanto Paraíso durante o café da manhã - todos ficaram extremamente satisfeitos! O mais bacana é que o pessoal do Recanto tem muita história interessante para nos contar e sempre há a oportunidade de aprendermos sobre diversos assuntos com eles. 


meditação 


Depois de nos saciarmos com as delícias do café, seguimos para a sala de aula na Floresta, e pudemos estudar o Bhagavad Gita, detalhando três de seus dezoito capítulos. Fizemos a leitura e comentei cada capítulo com os participantes, os quais tiveram o entendimento do que é essa nobre canção, bem como saber de seu contexto na Filosofia Hindu e sua importância história, cultural, religiosa, humanitária. Cantamos mantras (com voz, violão e maracá!) e estudamos na mata. Depois, fomos para o tão esperado almoço. 


estudo da Gita

O almoço foi repleto de maravilhas do campo, em sua grande maioria do sítio mesmo. Comemos PANCs e muitas outras delícias, todas livres de qualquer tipo de sofrimento (portanto, certamente foi um almoço vegano) e de agrotóxicos (100% sem veneno). Sucos de diversas frutas do sítio foram preparados com muito carinho. E as pimentas... Ah, as pimentas... Uma mais gostosa que a outra! 


after lunch das garotas


Após o banquete, seguimos para uma caminhada no silêncio, a qual pudemos contemplar os arredores de uma parte da propriedade. Fizemos duas paradas estratégicas: uma no rio, outra no bambuzal. Na primeira, tive alguns insights que tive a chance de dividir com a turma depois, a respeito do fluxo da vida e das "corredeiras" que nos aguardam. Na segunda, entoamos o mantra OM dentro do bambuzal, foi muito interessante. 


cabaça 


Na sequência, fizemos nossa roda de conversa, na qual cada um pode expressar o que sentiu durante as vivências e práticas, bem como abrir o coração com a turma. Foi muito enriquecedor e bonito. 

Para finalizar, dançamos debaixo de um "chapéu verde" de plantas ao som de EDO & JO, com a música Siddhi Buddhi, foi lindo demais! 


dance floor 


Após o Retiro de Inverno 2019, meu coração ficou ainda mais alegre e minha essência vibrou na gratidão e na felicidade. 


Homens da minha vida

Agradeço a todos que já citei e, em especial, aos meus pais, que me dão o suporte necessário e levaram meus queridos filhos para curtirem a finalização com todos. Vocês são muito especiais! 


encerramento


encerramento


Beijos, abraços, Namastê, Ahow e até a próxima! 

Luis Mauricio Fiorelli

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Pranayama - Nadi Shodana

Luis praticando Nadi Shodana

Em sânscrito, língua sagrada da Índia, a palavra Pranayama – que significa “controle da respiração” – é escrita da seguinte maneira:

प्राणायाम

No Ashtanga Yoga de Patanjali (Ashta = oito, Anga = passos), os oito passos até o despertar da Consciência podem ser descritos como:

1-    Yamas (condutas éticas)
2-    Niyamas (purificações)
3-    Ásanas (posturas)
4-   Pranayamas (controle da respiração)
5-    Pratyahara (controle dos sentidos)
6-    Dharana (concentração)
7-    Dhyana (meditação)
8-    Samadhi (contemplação/iluminação)

Tradução da palavra: 

·         Prana: alento, força vital, respiração, energia, vitalidade; e
·         Ayáma: expansão, controle, domínio, retenção, pausa.

Utilizando a nossa respiração, podemos expandir a energia vital (Prana) no organismo.
Segundo o Yoga Sutra, texto de Patanjali que inseriu o Yoga como uma escola filosófica, “Pranayama consiste em controlar o processo de inspirar (shwása) e expirar (prashwása).”

Assim, o quarto passo é essencial para que todos os demais possam acontecer de maneira correta. A respiração é o fio condutor da prática. Sem ela, as posturas são meras performances e não prática de Yoga.

Para se explicar a importância da respiração correta em nossas vidas, faz-se necessário estudarmos, mesmo que de forma resumida, a fisiologia sutil.

FISIOLOGIA SUTIL

A respiração faz a captação do Prana, juntamente com os gases (físicos), portanto isso já seria o bastante. A captação da energia é o que nos mantém vivos. Vamos aprofundar esse entendimento:



Os principais nadis do corpo sutil

A figura acima mostra os principais canais energéticos do corpo sutil: ida, píngala e sushumna (central).

Quando temos uma respiração adequada, promovemos uma boa circulação de Prana por esses canais, os quais passam diretamente pelos principais chakras (centros de energia), como pode ser observado acima. Essa fluidez faz com que tenhamos saúde, ou seja, mantemos o organismo em harmonia consigo próprio e com o meio que interage.

Dica: por isso é tão importante mantermos a coluna ereta durante o dia.

Os nadis “laterais”, por assim dizer, possuem polaridades e características, podendo-se destacar:

Nadi
IDA
PÍNGALA
Polaridade
Negativa
Positiva
Narina
Esquerda
Direita
Hemisfério cerebral
Direito
Esquerdo
Características gerais
Receptiva, passiva, feminina, lunar, visual, emocional. Processos da consciência, internos. Intuição.
Dinâmica, ativa, masculina, solar, verbal, racional. Relaciona-se com os processos físicos, externos. Lógica.

O principal nadi, localizado ao centro, na coluna vertebral, chama-se sushumna e permanece ativo (sem obstruções energéticas) quando os outros (ida e píngala) funcionam em harmonia. 

Ele é de energia neutra, ligado à energia espiritual (ainda mais sutil que todos os demais nadis).

O importante texto intitulado Hatha Yoga Pradipika, Cap. 2, verso 2, nos ensina que:

“Quando o Prana se move, a mente se move. Quando o Prana está imóvel, a mente está imóvel. Mantendo-se a estabilidade do Prana, o praticante de Yoga atinge a estabilidade (mental) e deve assim reter o ar.”

Nesse verso ele mostra o quão importante é o controle do Prana, o qual está intrinsecamente ligado ao controle da mente e, assim, entendemos que podemos controlar o Prana, obtemos também o controle da mente.

Agora vamos para a prática!

Nadi Shodana, a Respiração Polarizada

Execução:

  • Tampar a narina direita com o polegar direito;
  • Inspirar pela narina esquerda;
  • Reter o ar nos pulmões por quatro “tempos” (pode ser uma contagem de segundos, de batimentos do coração, ou de um “tempo” que você determina);
  • Tampar a narina esquerda com o indicador da mão direita e soltar o ar pela narina direita;
  • Inspirar pela narina direita;
  • Reter o ar nos pulmões por quatro “tempos”;
  • Tampar a narina direita com o indicador da mão direita e soltar o ar pela narina esquerda;

Indicação: realizar cinco ciclos ou mais, em momentos de estresse, raiva, pânico, cansaço, insônia, embotamento mental. Pode-se realizar de noite, antes de dormir, para se preparar o sono ou antes de uma prática meditativa.

Pode-se utilizar o vishnu mudrá para a realização desta respiração:



vishnu mudrá

Faça todos os dias que quiser e lembrar. Essa técnica trará equilíbrio, sensatez, tranquilidade. Desfrute de seus benefícios, pratique!

Namastê!

Luis Mauricio Fiorelli

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Yamas & Niyamas

tigela tibetana



Saudações Ióguicas!

Apresentamos abaixo de forma objetiva e sucinta o código de ética e moral, ou Yamas e Niyamas, da escola filosófica Yoga. 

Vamos entender o código dessa prática milenar indiana e saber como aplicá-lo em nosso cotidiano.

Na literatura hindu, o Yoga situa-se dentro dos Smritis, os textos que foram passados através da memória dos sábios.

Quando o sábio Patanjali sistematizou toda uma gama de conhecimentos milenares no chamado Yoga Sutra, aproximadamente no ano de 150 dC, o Yoga tornou-se um dos seis Dárshanas, isto é, uma das seis escolas filosóficas. As outras são Vedanta, Samkhya, Vaishashika, Nyaya e Purva-Mimamsa.

Em seus 196 aforismos, o Yoga Sutra descreve um caminho de oito passos para se atingir o despertar da consciência. Os passos, nesta sequência de execução, podem ser descritos como:

1 - Yamas:
disciplina. É como se harmonizar com os demais seres. São divididos em cinco:
·       
  
Ahimsa: Não-violência, ausência da vontade de matar;
·         Satya: Compromisso com a Verdade, veracidade;
·         Asteya: Honestidade (não roubar);
·         Brahmacharya: controle das energias, o “caminho de Brahman”;
·         Aparigraha: Renúncia ao sentimento de posse, desapego.

2 - Niyamas:
são os princípios do autocontrole. Diz respeito à vida interior do Yogin. São eles:
·       
  
Saucha: Pureza (física e mental);
·         Samtosha: Contentamento, bem estar, gratidão, plenitude;
·         Tapas: auto-superação, esforço sobre si mesmo, disciplina;
·         Svadhyaya: Estudo das escrituras sagradas, auto-observação;
·         Ishvara-pranidhana: Devoção, entrega ao Senhor.

3 - Ásanas: postura firme e confortável;
4 - Pranayamas: controle da respiração;
5 - Pratyahara: recolhimento dos sentidos;
6 - Dhárana: concentração;
7 - Dhyana: meditação;
8 - Samadhi: iluminação.

Juntos, os oito membros conduzem os praticantes para fora do labirinto de suas próprias preconcepções e confusões, levando-os a um estado sublime de liberdade. Isso se realiza pelo controle progressivo da mente (Citta). – Do livro “Uma Visão Profunda do Yoga”, Georg Feuerstein, Cáp. 13.

A partir desse overview, pode-se aprofundar em cada um dos Yamas e Niyamas para um entendimento apropriado.

1 - YAMAS

AHIMSA:
a não violência é o condutor de todos os demais passos. Sem este, o caminho fica “trancado” e não é possível se experimentar os demais. A tradução literal de AHIMSA pode ser “ausência da vontade de matar”, porém esse conceito é de fato mais amplo: baseia-se em não realizar nenhum tipo de violência, até mesmo em pensamento.

SATYA:
o compromisso com a verdade é com si mesmo, e também com o próximo. A Viracidade complementa a não violência porque, em última análise, se uma pessoa mente para a outra, também estará realizando um ato de violência. Veja o que nos traz a literatura yogue:
“Não há virtude mais excelente que a veracidade, nem pecado maior que a mentira”. E ainda: “A veracidade é a forma do supremo Absoluto (brahman)”.

ASTEYA:
não roubar nada de ninguém é fundamental para se manter a harmonia.
Atenção: não precisa ser necessariamente apropriação de dinheiro ou bens. Muitas vezes, as pessoas tomam a ideia de outrém como delas, e essa atitude também se enquadra neste conceito.

BRAHMACHARYA:
controle de todas as energias (físicas, emocionais) e disciplina para utilizá-las. A palavra “charya” significa “caminho” e “Brahman” é o criador. Assim, seria o “caminho de Brahman”, ou como me portar de forma correta em todas as situações.
Alguns entendem como “castidade”, mas ampliando-se a visão, esse conceito pode ser entendido como “fidelidade sexual”, ou seja, caso o(a) praticante tenha um(a) companheiro(a) sexual, que fique apenas com esse – mesmo em pensamento.

APARIGRAHA:
desapego, a renúncia para que o Ego não seja alimentado. Os bens materiais podem despertar o apego e o sentimento de posse. Os praticantes de Yoga preferem cultivar a simplicidade voluntária. Dessa forma, a mente não se distrai e a prática não tem interferências.
Nota: Aparigraha não significa “não ter mais nada” ou “não comprar mais nada”. Porém está muito ligado ao conceito de FRUGALIDADE, ou seja, ter apenas o essencial para a vida.


2 - NIYAMAS

SAUCHA:
essa palavra significa “limpeza”, e esta deve ser interna (mente, sentimentos, emoções) e externa (corpo físico).
Para a limpeza externa, faz-se necessário alimentação saudável e higiene pessoal. Já a interna, pode-se utilizar ferramentas como a Concentração (Dhárana) e a Meditação (Dhyana).

SAMTOSHA:
Contentamento... Agradecimento sincero sobre a pessoa que é (si mesmo) e a todas as coisas que já se tem na vida (família, amigos, trabalho, bens materiais etc).
Seria como uma gratidão real e profunda sobre si mesmo, para com todos os demais seres e também com tudo que existe, com aceitação por tudo e todos da maneira que são.

TAPAS:
disciplina, autosuperação. A prática de Tapas leva o praticante a se superar, utilizando para isso de jejuns, “exercícios” com grau elevado de dificuldade (ex.: ficar em pé por vários dias), fazer silêncio formal, dentre outras. A ideia é que se produza calor (energia) e possa usar a mesma para a diluição do Ego.

Simples exercícios de Tapas:
·        -  Acordar e dormir nos mesmos horários todos os dias;
·        -  Realizar algo que tenha dificuldade (escolha algo simples no início);
·        -  Deixar de consumir alimentos nocivos e que, por vezes, tem em seu cardápio;

SVADHYAYA: baseia-se no estudo das escrituras sagradas, podendo aqui seguir o que cada um entende por “sagrada”. Assim, você pode utilizar a bíblia cristã, o bhagavad-gita dos hindus ou qualquer outro livro sagrado que você tenha afinidade.

ISHVARA-PRANIDHANA:
essa entrega ao Senhor. Você faz sua parte e, depois, entrega para que a Vida se encarregue do restante. Aqui, também há uma ideia de “todo”, do “Uno” do Universo, assim, pode-se entender que tudo está conectado, não existe separação.


Espero que tenha aproveitado a leitura. Até a próxima ! 

Namastê, 

Luis Mauricio Fiorelli.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

DHARMACAST - Filosofia Hindu



Pessoal,

Agora temos um canal específico para as audio-aulas !!

Segue o link: YOGA SOROCABA no YOUTUBE.

Podem ouvir quantas vezes quiserem, compartilhar, deixar comentários e sugestões.

Ativem as notificações, logo mais novos audio-aulas para vocês !!

Abraços, Namastê,

Luis Mauricio.


segunda-feira, 2 de julho de 2018

Desconstruir



Padrões mentais nocivos são aqueles pensamentos que sempre nos visitam, não saem, não nos deixam tranquilos. Lembranças negativas, traumas, pré-ocupações sem sentido...


Um exercício que tenho feito com dificuldade, dada minha natureza Pitta*, é Mauna, ou silêncio. Essa prática é fácil para uns, difícil para outros, quase ou praticamente impossível para alguns outros.
Para mim, digo que é uma dificuldade considerável, mas tenho passado por diversas situações que me proporcionam esse treino e agradeço imensamente as pessoas que me apresentam essas situações, aí vem a gratidão.


Praticar Yoga é assim: olhar pra si mesmo, auto-observação, autoconhecimento.
E aqui os Yamas & Niyamas ajudam bastante, principalmente SAMTOSHA ("aceitação", gratidão, contentamento), SATYA (veracidade), ISHVARA PRANIDHANA (entregar tudo aquilo que não posso controlar, ou seja, tudo!), TAPAS (autosuperação)...


Quantas vezes eu cair, e realizar os mesmos erros de sempre (padrões mentais, samskaras), levantarei e continuarei no caminho.


Namastê !


Luis Mauricio.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Custo Emocional

Foto realizada pela minha amada Thais


Você já refletiu sobre o custo emocional de suas reações?

Cada situação que chega até nós, traz um determinado sentimento. Qual será, depende de um contexto que no Yoga chama-se Samskaras ou, de forma muito resumida, padrão mental. Este, tem relação com toda nossa história de vida, inclusive anteriores a esta. Assim, a partir de tudo que já passamos, sentimos e vivemos, criamos padrões de comportamentos, que podem ser saudáveis ou nocivos. Os primeiros devem ser valorizados, enquanto estes precisam ser modificados.

E é exatamente aqui que fazemos a pergunta: qual o custo de minha reação para determinado sentimento (que vem a partir de uma situação gerada por mim ou por outrem)? Se esse custo é excessivo em relação a minha própria saúde, ele precisa ser trabalhado até desaparecer.

Exemplo prático: uma pessoa sente raiva toda vez que ela se coloca em determinada situação. Imaginemos que ela trabalha em uma empresa e, quando vai para uma reunião e é questionada de suas atribuições, fica nervosa e, depois, sente raiva do chefe e/ou dos colegas de trabalho. Após o expediente, para “compensar” o estresse sofrido, ingere bebida alcoólica todos os dias que isso acontece, e acredite, a situação é muito frequente! Dada a frequência das situações e do padrão de fuga (a bebida) que a pessoa encontrou, ir ao bar e “beber todas” tornou-se um hábito muito nocivo. Aqui, não vamos adentrar aos tristes desdobramentos desse exemplo/situação, mas vamos nos atentar ao fato em si.

Se o hábito torna a vida mais difícil, custosa e, por vezes, faz com que deixemos a rotina (trabalho, familia, amigos etc) para ficar com o hábito nocivo, entao está na hora de parar... Essa parada é o problema, pois quem se encontra nessa situação, geralmente não consegue parar por si só.

Mas voltando ao fato: sentir raiva. A “vinda” do sentimento é incontrolável, ele vem mesmo, acredite. O problema não é sentir raiva, mas sim o que faço após esse sentimento. Se fico em estado de descontrole, então começo a descontar no próximo e/ou no ambiente que me encontro, trazendo sofrimento a mim e a todos.

Portanto, o que preciso fazer é praticar a Equanimidade – estado neutro e equilibrado em que apenas observo o fluxo dos sentimentos e não me envolvo com eles, pois sei separar quem sou eu (que sinto) e quem é o ego (que reage). Dessa forma, praticar a Equanimidade é a chave de toda a questão.

Mas como? Sinto um monte de coisas e ainda tenho que ficar “calmo”? NÃO!! Ficar calmo não é a questão... Mas estar equânime! Estar nesse estado requer prática de observação: quem sente (“eu”) e quem reage (“ego”). São entidades diferentes...

Para que essa observação ocorra, a ferramenta que utilizamos é a Meditação. Essa prática, que é basicamente entrarmos em uma sintonia interna, requer hábito também, portanto todo dia, e nos permite ver quem sente e quem reage. A reação no momento do sentimento (principalmente quando ele é negativo) é quase sempre nociva, sendo que se apenas observamos o sentimento que chega, porém não reagimos na hora, o sentimento passa e depois temos tempo de reflexão. Essa é a chave de toda questão... Refletir, sentir, mas não reagir (no momento).

Não se preocupe se você medita e ainda “cai” nas tramas do ego com as reações nocivas. Se você observa as quedas, então está no caminho correto. O maior problema é errarmos e não sabermos que estamos errando. Quando a reação nociva acontece, mas observo o que aconteceu, então estou a um passo de não reagir mais. Assim, continuar praticando a observação (Meditação) é primordial.

Para todos aqueles que queiram aprender a meditar, entre em contato e saiba como a Meditação pode ajudar na mudança dos padrões mentais. Saiba mais em www.yogasorocaba.com.br

LOKAH SAMASTAH SUKHINO BHAVANTU
Que todos os Seres do Universo possam ser prósperos e felizes

Namastê,

Luis Mauricio.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Ásanas - As Posturas do Yoga




Há muito que se falar dos ásanas, as posturas do Yoga, a parte física, por assim dizer. Existe um vasto material na internet com fotos, animações, nomes em sânscrito, efeitos, contraindicações e assim por diante.

Antes de iniciarmos, um pouco de sânscrito não prejudica ninguém! Além de ser bacana – conhecermos uma língua morta, da mesma forma que o latim – é interessante conhecermos o significado de algumas palavras.

Dessa forma, ásana significa “postura”.

Então, é comum falarmos (por exemplo) “Trikonásana” na aula... O que significa: “postura do triângulo”. Do sânscrito: “Tri” = “Três”, “kona” = “Ângulo” e “Ásana” = “Postura”.

Outros exemplos bacanas:

- Ardha Chandrásana: Ardha = Meia ; Chandra = Lua. Postura da meia-lua;

- Urdhva Mukha Svanásana: Urdhva = para baixo ; Mukha = face ; Svana = cachoro. Postura do cachorro olhando para baixo;

- Adho Mukha Svanásana: Adho = para cima ; Mukha = face ; Svana = cachoro. Postura do cachorro olhando para cima;

- Virabhadrásana: Vira = herói. Virabhadra é um herói da mitologia Hindu, o qual nasceu dos cabelos de Shiva. Postura do Herói (temos as variações I, II e III);

- Natarajásana: Nata = bailarino ; Raj = Rei. Postura do rei dos bailarinos, Shiva. 

- Ustrásana: Ustra = Camelo. Postura do camelo.

- Janusirshsásana: Janu = Joelho ; Sirsh = Cabeça. Postura de levar a cabeça no joelho.

- Matsyásana: Matsya = Peixe. Postura do peixe.

- Surya Namaskar: Surya = Sol ; Namaskar = Saudação. Saudação ao Sol (Sequência de movimentos, temos 3 variações – A, B e tradicional);

- Padmásana: Padma = Lótus (flor). Postura do Lótus;


Os benefícios da prática de ásanas são diversos, tanto no físico – para preparar o corpo e mantê-lo saudável – quanto no energético – para que possamos estar alinhados, confortáveis e com a energia circulando de maneira adequada pelos Nadis (canais sutis pelos quais a energia – o PRANA – flui pelo nosso corpo).

Quanto mais praticarmos ásanas, mais preparados estaremos para os estados mentais propícios para a prática do Yoga, principalmente nos estados de Concentração e Meditação.

Métodos, tipos de sequências e afins:

Existem diversas maneiras de se praticar os ásanas.

As posturas podem promover vários aspectos no corpo, dentre eles: esquentar, resfriar, ajudar na circulação, na concentração e meditação, na recuperação de uma lesão, atuam cura de diversas doenças (ou melhora das mesmas) como depressão, ansiedade, insônia, aumento do desejo sexual, entre outras.

Podemos enfatizar as seguintes práticas ("estilos") de Yoga:

- Hatha Yoga: prática que prioriza a permanência, o estado de quietude na postura;

- Ashtanga Yoga: sequências fixas de ásanas, os quais são praticados fazendo-se cinco respirações em cada postura;

- Vinyasa Yoga: um misto das duas práticas acima;

- Iyengar Yoga: uma prática que prima pelos ajustes perfeitos;


Além dessas, temos outros métodos que foram desenvolvidos ao longo do tempo, como é o caso da SATTVA Yoga, do Gustavo Ponce. A sua base é o Hatha, porém com uma sequência definida de posturas, respirações, kriyas, mudras e bandhas.

Nos livros do professor Hermógenes (Autoperfeição com Hatha Yoga, Yoga para Nervosos) existem diversas sequências (de Hatha Yoga) já prontas para praticarmos, e são específicas (ex.: sequência para aquietar a mente, para fortalecer o joelho, e assim por diante). Existem também sequências de acordo com a fase da vida (criança, adolescente, adulto, idoso) e também com relação ao sexo (alguns ásanas são muito bacanas para as mulheres, principalmente para a Menopausa, regulação hormonal em geral, menstruação etc). Vale a pena conferir os livros desse grande exemplo.

Podemos dividir os Ásanas em diversos “grupos”, por assim dizer:

- Posição do corpo:
  • Em pé
  • Sentado
  • Deitado
  • Invertido

– Posição da coluna:
  • Neutra
  • Flexão Lateral
  • Flexão para frente
  • Flexão para trás
  • Rotação

– Ação sobre os músculos:
  • Braços
  • Pernas
  • Abdômem
  • Costas
  • Pescoço

– Ação para Flexibilidade:
  • Ombros
  • Virilhas e quadris
  • Joelhos


Além dessa parte física, com a separação nos quatro grandes grupos acima, também podemos pensar no ásana como uma “postura” de nós próprios com relação aos acontecimentos e situações que a vida nos trás.

- Qual a postura que devo adotar para cada acontecimento da vida?

- Como me comportar quando as coisas não saem do jeito que eu imaginava?

- Qual minha reação perante as coisas que não controlo?

- Quanto de tensão estou gerando (em meu corpo) quando algo de fora está desconfortável?

Com a prática dos ásanas, podemos extrapolar a prática no “tapetinho” para a vivência social, familiar e assim por diante.

É interessante observar algumas correspondências: se quero encontrar uma solução para um problema (que até então, não consigo visualizar), posso praticar torções, pois elas proporcionam um olhar sob outro ângulo (“torcido”, não natural). Se tudo, em minha vida, parece estar de ponta cabeça, errado, se estou insatisfeito com o meio em que vivo, posso praticar invertidas. Às vezes, observar o mundo de ponta cabeça (quando estamos em um ásana de inversão) é o que pode nos trazer as respostas para questões que colocamos a nós mesmos, naquele momento da vida. 

Esses são exemplos de reflexões que a prática de ásanas pode proporcionar.

Agora, como dizem no Ashtanga Yoga: 99% prática, 1% teoria.

Que a prática seja iniciada !!


Dúvidas, não deixem de entrar em contato. 

Namastê.