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quinta-feira, 4 de abril de 2019

Pranayama - Nadi Shodana

Luis praticando Nadi Shodana

Em sânscrito, língua sagrada da Índia, a palavra Pranayama – que significa “controle da respiração” – é escrita da seguinte maneira:

प्राणायाम

No Ashtanga Yoga de Patanjali (Ashta = oito, Anga = passos), os oito passos até o despertar da Consciência podem ser descritos como:

1-    Yamas (condutas éticas)
2-    Niyamas (purificações)
3-    Ásanas (posturas)
4-   Pranayamas (controle da respiração)
5-    Pratyahara (controle dos sentidos)
6-    Dharana (concentração)
7-    Dhyana (meditação)
8-    Samadhi (contemplação/iluminação)

Tradução da palavra: 

·         Prana: alento, força vital, respiração, energia, vitalidade; e
·         Ayáma: expansão, controle, domínio, retenção, pausa.

Utilizando a nossa respiração, podemos expandir a energia vital (Prana) no organismo.
Segundo o Yoga Sutra, texto de Patanjali que inseriu o Yoga como uma escola filosófica, “Pranayama consiste em controlar o processo de inspirar (shwása) e expirar (prashwása).”

Assim, o quarto passo é essencial para que todos os demais possam acontecer de maneira correta. A respiração é o fio condutor da prática. Sem ela, as posturas são meras performances e não prática de Yoga.

Para se explicar a importância da respiração correta em nossas vidas, faz-se necessário estudarmos, mesmo que de forma resumida, a fisiologia sutil.

FISIOLOGIA SUTIL

A respiração faz a captação do Prana, juntamente com os gases (físicos), portanto isso já seria o bastante. A captação da energia é o que nos mantém vivos. Vamos aprofundar esse entendimento:



Os principais nadis do corpo sutil

A figura acima mostra os principais canais energéticos do corpo sutil: ida, píngala e sushumna (central).

Quando temos uma respiração adequada, promovemos uma boa circulação de Prana por esses canais, os quais passam diretamente pelos principais chakras (centros de energia), como pode ser observado acima. Essa fluidez faz com que tenhamos saúde, ou seja, mantemos o organismo em harmonia consigo próprio e com o meio que interage.

Dica: por isso é tão importante mantermos a coluna ereta durante o dia.

Os nadis “laterais”, por assim dizer, possuem polaridades e características, podendo-se destacar:

Nadi
IDA
PÍNGALA
Polaridade
Negativa
Positiva
Narina
Esquerda
Direita
Hemisfério cerebral
Direito
Esquerdo
Características gerais
Receptiva, passiva, feminina, lunar, visual, emocional. Processos da consciência, internos. Intuição.
Dinâmica, ativa, masculina, solar, verbal, racional. Relaciona-se com os processos físicos, externos. Lógica.

O principal nadi, localizado ao centro, na coluna vertebral, chama-se sushumna e permanece ativo (sem obstruções energéticas) quando os outros (ida e píngala) funcionam em harmonia. 

Ele é de energia neutra, ligado à energia espiritual (ainda mais sutil que todos os demais nadis).

O importante texto intitulado Hatha Yoga Pradipika, Cap. 2, verso 2, nos ensina que:

“Quando o Prana se move, a mente se move. Quando o Prana está imóvel, a mente está imóvel. Mantendo-se a estabilidade do Prana, o praticante de Yoga atinge a estabilidade (mental) e deve assim reter o ar.”

Nesse verso ele mostra o quão importante é o controle do Prana, o qual está intrinsecamente ligado ao controle da mente e, assim, entendemos que podemos controlar o Prana, obtemos também o controle da mente.

Agora vamos para a prática!

Nadi Shodana, a Respiração Polarizada

Execução:

  • Tampar a narina direita com o polegar direito;
  • Inspirar pela narina esquerda;
  • Reter o ar nos pulmões por quatro “tempos” (pode ser uma contagem de segundos, de batimentos do coração, ou de um “tempo” que você determina);
  • Tampar a narina esquerda com o indicador da mão direita e soltar o ar pela narina direita;
  • Inspirar pela narina direita;
  • Reter o ar nos pulmões por quatro “tempos”;
  • Tampar a narina direita com o indicador da mão direita e soltar o ar pela narina esquerda;

Indicação: realizar cinco ciclos ou mais, em momentos de estresse, raiva, pânico, cansaço, insônia, embotamento mental. Pode-se realizar de noite, antes de dormir, para se preparar o sono ou antes de uma prática meditativa.

Pode-se utilizar o vishnu mudrá para a realização desta respiração:



vishnu mudrá

Faça todos os dias que quiser e lembrar. Essa técnica trará equilíbrio, sensatez, tranquilidade. Desfrute de seus benefícios, pratique!

Namastê!

Luis Mauricio Fiorelli

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Yamas & Niyamas

tigela tibetana



Saudações Ióguicas!

Apresentamos abaixo de forma objetiva e sucinta o código de ética e moral, ou Yamas e Niyamas, da escola filosófica Yoga. 

Vamos entender o código dessa prática milenar indiana e saber como aplicá-lo em nosso cotidiano.

Na literatura hindu, o Yoga situa-se dentro dos Smritis, os textos que foram passados através da memória dos sábios.

Quando o sábio Patanjali sistematizou toda uma gama de conhecimentos milenares no chamado Yoga Sutra, aproximadamente no ano de 150 dC, o Yoga tornou-se um dos seis Dárshanas, isto é, uma das seis escolas filosóficas. As outras são Vedanta, Samkhya, Vaishashika, Nyaya e Purva-Mimamsa.

Em seus 196 aforismos, o Yoga Sutra descreve um caminho de oito passos para se atingir o despertar da consciência. Os passos, nesta sequência de execução, podem ser descritos como:

1 - Yamas:
disciplina. É como se harmonizar com os demais seres. São divididos em cinco:
·       
  
Ahimsa: Não-violência, ausência da vontade de matar;
·         Satya: Compromisso com a Verdade, veracidade;
·         Asteya: Honestidade (não roubar);
·         Brahmacharya: controle das energias, o “caminho de Brahman”;
·         Aparigraha: Renúncia ao sentimento de posse, desapego.

2 - Niyamas:
são os princípios do autocontrole. Diz respeito à vida interior do Yogin. São eles:
·       
  
Saucha: Pureza (física e mental);
·         Samtosha: Contentamento, bem estar, gratidão, plenitude;
·         Tapas: auto-superação, esforço sobre si mesmo, disciplina;
·         Svadhyaya: Estudo das escrituras sagradas, auto-observação;
·         Ishvara-pranidhana: Devoção, entrega ao Senhor.

3 - Ásanas: postura firme e confortável;
4 - Pranayamas: controle da respiração;
5 - Pratyahara: recolhimento dos sentidos;
6 - Dhárana: concentração;
7 - Dhyana: meditação;
8 - Samadhi: iluminação.

Juntos, os oito membros conduzem os praticantes para fora do labirinto de suas próprias preconcepções e confusões, levando-os a um estado sublime de liberdade. Isso se realiza pelo controle progressivo da mente (Citta). – Do livro “Uma Visão Profunda do Yoga”, Georg Feuerstein, Cáp. 13.

A partir desse overview, pode-se aprofundar em cada um dos Yamas e Niyamas para um entendimento apropriado.

1 - YAMAS

AHIMSA:
a não violência é o condutor de todos os demais passos. Sem este, o caminho fica “trancado” e não é possível se experimentar os demais. A tradução literal de AHIMSA pode ser “ausência da vontade de matar”, porém esse conceito é de fato mais amplo: baseia-se em não realizar nenhum tipo de violência, até mesmo em pensamento.

SATYA:
o compromisso com a verdade é com si mesmo, e também com o próximo. A Viracidade complementa a não violência porque, em última análise, se uma pessoa mente para a outra, também estará realizando um ato de violência. Veja o que nos traz a literatura yogue:
“Não há virtude mais excelente que a veracidade, nem pecado maior que a mentira”. E ainda: “A veracidade é a forma do supremo Absoluto (brahman)”.

ASTEYA:
não roubar nada de ninguém é fundamental para se manter a harmonia.
Atenção: não precisa ser necessariamente apropriação de dinheiro ou bens. Muitas vezes, as pessoas tomam a ideia de outrém como delas, e essa atitude também se enquadra neste conceito.

BRAHMACHARYA:
controle de todas as energias (físicas, emocionais) e disciplina para utilizá-las. A palavra “charya” significa “caminho” e “Brahman” é o criador. Assim, seria o “caminho de Brahman”, ou como me portar de forma correta em todas as situações.
Alguns entendem como “castidade”, mas ampliando-se a visão, esse conceito pode ser entendido como “fidelidade sexual”, ou seja, caso o(a) praticante tenha um(a) companheiro(a) sexual, que fique apenas com esse – mesmo em pensamento.

APARIGRAHA:
desapego, a renúncia para que o Ego não seja alimentado. Os bens materiais podem despertar o apego e o sentimento de posse. Os praticantes de Yoga preferem cultivar a simplicidade voluntária. Dessa forma, a mente não se distrai e a prática não tem interferências.
Nota: Aparigraha não significa “não ter mais nada” ou “não comprar mais nada”. Porém está muito ligado ao conceito de FRUGALIDADE, ou seja, ter apenas o essencial para a vida.


2 - NIYAMAS

SAUCHA:
essa palavra significa “limpeza”, e esta deve ser interna (mente, sentimentos, emoções) e externa (corpo físico).
Para a limpeza externa, faz-se necessário alimentação saudável e higiene pessoal. Já a interna, pode-se utilizar ferramentas como a Concentração (Dhárana) e a Meditação (Dhyana).

SAMTOSHA:
Contentamento... Agradecimento sincero sobre a pessoa que é (si mesmo) e a todas as coisas que já se tem na vida (família, amigos, trabalho, bens materiais etc).
Seria como uma gratidão real e profunda sobre si mesmo, para com todos os demais seres e também com tudo que existe, com aceitação por tudo e todos da maneira que são.

TAPAS:
disciplina, autosuperação. A prática de Tapas leva o praticante a se superar, utilizando para isso de jejuns, “exercícios” com grau elevado de dificuldade (ex.: ficar em pé por vários dias), fazer silêncio formal, dentre outras. A ideia é que se produza calor (energia) e possa usar a mesma para a diluição do Ego.

Simples exercícios de Tapas:
·        -  Acordar e dormir nos mesmos horários todos os dias;
·        -  Realizar algo que tenha dificuldade (escolha algo simples no início);
·        -  Deixar de consumir alimentos nocivos e que, por vezes, tem em seu cardápio;

SVADHYAYA: baseia-se no estudo das escrituras sagradas, podendo aqui seguir o que cada um entende por “sagrada”. Assim, você pode utilizar a bíblia cristã, o bhagavad-gita dos hindus ou qualquer outro livro sagrado que você tenha afinidade.

ISHVARA-PRANIDHANA:
essa entrega ao Senhor. Você faz sua parte e, depois, entrega para que a Vida se encarregue do restante. Aqui, também há uma ideia de “todo”, do “Uno” do Universo, assim, pode-se entender que tudo está conectado, não existe separação.


Espero que tenha aproveitado a leitura. Até a próxima ! 

Namastê, 

Luis Mauricio Fiorelli.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

DHARMACAST - Filosofia Hindu



Pessoal,

Agora temos um canal específico para as audio-aulas !!

Segue o link: YOGA SOROCABA no YOUTUBE.

Podem ouvir quantas vezes quiserem, compartilhar, deixar comentários e sugestões.

Ativem as notificações, logo mais novos audio-aulas para vocês !!

Abraços, Namastê,

Luis Mauricio.


segunda-feira, 2 de julho de 2018

Desconstruir



Padrões mentais nocivos são aqueles pensamentos que sempre nos visitam, não saem, não nos deixam tranquilos. Lembranças negativas, traumas, pré-ocupações sem sentido...


Um exercício que tenho feito com dificuldade, dada minha natureza Pitta*, é Mauna, ou silêncio. Essa prática é fácil para uns, difícil para outros, quase ou praticamente impossível para alguns outros.
Para mim, digo que é uma dificuldade considerável, mas tenho passado por diversas situações que me proporcionam esse treino e agradeço imensamente as pessoas que me apresentam essas situações, aí vem a gratidão.


Praticar Yoga é assim: olhar pra si mesmo, auto-observação, autoconhecimento.
E aqui os Yamas & Niyamas ajudam bastante, principalmente SAMTOSHA ("aceitação", gratidão, contentamento), SATYA (veracidade), ISHVARA PRANIDHANA (entregar tudo aquilo que não posso controlar, ou seja, tudo!), TAPAS (autosuperação)...


Quantas vezes eu cair, e realizar os mesmos erros de sempre (padrões mentais, samskaras), levantarei e continuarei no caminho.


Namastê !


Luis Mauricio.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Custo Emocional

Foto realizada pela minha amada Thais


Você já refletiu sobre o custo emocional de suas reações?

Cada situação que chega até nós, traz um determinado sentimento. Qual será, depende de um contexto que no Yoga chama-se Samskaras ou, de forma muito resumida, padrão mental. Este, tem relação com toda nossa história de vida, inclusive anteriores a esta. Assim, a partir de tudo que já passamos, sentimos e vivemos, criamos padrões de comportamentos, que podem ser saudáveis ou nocivos. Os primeiros devem ser valorizados, enquanto estes precisam ser modificados.

E é exatamente aqui que fazemos a pergunta: qual o custo de minha reação para determinado sentimento (que vem a partir de uma situação gerada por mim ou por outrem)? Se esse custo é excessivo em relação a minha própria saúde, ele precisa ser trabalhado até desaparecer.

Exemplo prático: uma pessoa sente raiva toda vez que ela se coloca em determinada situação. Imaginemos que ela trabalha em uma empresa e, quando vai para uma reunião e é questionada de suas atribuições, fica nervosa e, depois, sente raiva do chefe e/ou dos colegas de trabalho. Após o expediente, para “compensar” o estresse sofrido, ingere bebida alcoólica todos os dias que isso acontece, e acredite, a situação é muito frequente! Dada a frequência das situações e do padrão de fuga (a bebida) que a pessoa encontrou, ir ao bar e “beber todas” tornou-se um hábito muito nocivo. Aqui, não vamos adentrar aos tristes desdobramentos desse exemplo/situação, mas vamos nos atentar ao fato em si.

Se o hábito torna a vida mais difícil, custosa e, por vezes, faz com que deixemos a rotina (trabalho, familia, amigos etc) para ficar com o hábito nocivo, entao está na hora de parar... Essa parada é o problema, pois quem se encontra nessa situação, geralmente não consegue parar por si só.

Mas voltando ao fato: sentir raiva. A “vinda” do sentimento é incontrolável, ele vem mesmo, acredite. O problema não é sentir raiva, mas sim o que faço após esse sentimento. Se fico em estado de descontrole, então começo a descontar no próximo e/ou no ambiente que me encontro, trazendo sofrimento a mim e a todos.

Portanto, o que preciso fazer é praticar a Equanimidade – estado neutro e equilibrado em que apenas observo o fluxo dos sentimentos e não me envolvo com eles, pois sei separar quem sou eu (que sinto) e quem é o ego (que reage). Dessa forma, praticar a Equanimidade é a chave de toda a questão.

Mas como? Sinto um monte de coisas e ainda tenho que ficar “calmo”? NÃO!! Ficar calmo não é a questão... Mas estar equânime! Estar nesse estado requer prática de observação: quem sente (“eu”) e quem reage (“ego”). São entidades diferentes...

Para que essa observação ocorra, a ferramenta que utilizamos é a Meditação. Essa prática, que é basicamente entrarmos em uma sintonia interna, requer hábito também, portanto todo dia, e nos permite ver quem sente e quem reage. A reação no momento do sentimento (principalmente quando ele é negativo) é quase sempre nociva, sendo que se apenas observamos o sentimento que chega, porém não reagimos na hora, o sentimento passa e depois temos tempo de reflexão. Essa é a chave de toda questão... Refletir, sentir, mas não reagir (no momento).

Não se preocupe se você medita e ainda “cai” nas tramas do ego com as reações nocivas. Se você observa as quedas, então está no caminho correto. O maior problema é errarmos e não sabermos que estamos errando. Quando a reação nociva acontece, mas observo o que aconteceu, então estou a um passo de não reagir mais. Assim, continuar praticando a observação (Meditação) é primordial.

Para todos aqueles que queiram aprender a meditar, entre em contato e saiba como a Meditação pode ajudar na mudança dos padrões mentais. Saiba mais em www.yogasorocaba.com.br

LOKAH SAMASTAH SUKHINO BHAVANTU
Que todos os Seres do Universo possam ser prósperos e felizes

Namastê,

Luis Mauricio.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Ásanas - As Posturas do Yoga




Há muito que se falar dos ásanas, as posturas do Yoga, a parte física, por assim dizer. Existe um vasto material na internet com fotos, animações, nomes em sânscrito, efeitos, contraindicações e assim por diante.

Antes de iniciarmos, um pouco de sânscrito não prejudica ninguém! Além de ser bacana – conhecermos uma língua morta, da mesma forma que o latim – é interessante conhecermos o significado de algumas palavras.

Dessa forma, ásana significa “postura”.

Então, é comum falarmos (por exemplo) “Trikonásana” na aula... O que significa: “postura do triângulo”. Do sânscrito: “Tri” = “Três”, “kona” = “Ângulo” e “Ásana” = “Postura”.

Outros exemplos bacanas:

- Ardha Chandrásana: Ardha = Meia ; Chandra = Lua. Postura da meia-lua;

- Urdhva Mukha Svanásana: Urdhva = para baixo ; Mukha = face ; Svana = cachoro. Postura do cachorro olhando para baixo;

- Adho Mukha Svanásana: Adho = para cima ; Mukha = face ; Svana = cachoro. Postura do cachorro olhando para cima;

- Virabhadrásana: Vira = herói. Virabhadra é um herói da mitologia Hindu, o qual nasceu dos cabelos de Shiva. Postura do Herói (temos as variações I, II e III);

- Natarajásana: Nata = bailarino ; Raj = Rei. Postura do rei dos bailarinos, Shiva. 

- Ustrásana: Ustra = Camelo. Postura do camelo.

- Janusirshsásana: Janu = Joelho ; Sirsh = Cabeça. Postura de levar a cabeça no joelho.

- Matsyásana: Matsya = Peixe. Postura do peixe.

- Surya Namaskar: Surya = Sol ; Namaskar = Saudação. Saudação ao Sol (Sequência de movimentos, temos 3 variações – A, B e tradicional);

- Padmásana: Padma = Lótus (flor). Postura do Lótus;


Os benefícios da prática de ásanas são diversos, tanto no físico – para preparar o corpo e mantê-lo saudável – quanto no energético – para que possamos estar alinhados, confortáveis e com a energia circulando de maneira adequada pelos Nadis (canais sutis pelos quais a energia – o PRANA – flui pelo nosso corpo).

Quanto mais praticarmos ásanas, mais preparados estaremos para os estados mentais propícios para a prática do Yoga, principalmente nos estados de Concentração e Meditação.

Métodos, tipos de sequências e afins:

Existem diversas maneiras de se praticar os ásanas.

As posturas podem promover vários aspectos no corpo, dentre eles: esquentar, resfriar, ajudar na circulação, na concentração e meditação, na recuperação de uma lesão, atuam cura de diversas doenças (ou melhora das mesmas) como depressão, ansiedade, insônia, aumento do desejo sexual, entre outras.

Podemos enfatizar as seguintes práticas ("estilos") de Yoga:

- Hatha Yoga: prática que prioriza a permanência, o estado de quietude na postura;

- Ashtanga Yoga: sequências fixas de ásanas, os quais são praticados fazendo-se cinco respirações em cada postura;

- Vinyasa Yoga: um misto das duas práticas acima;

- Iyengar Yoga: uma prática que prima pelos ajustes perfeitos;


Além dessas, temos outros métodos que foram desenvolvidos ao longo do tempo, como é o caso da SATTVA Yoga, do Gustavo Ponce. A sua base é o Hatha, porém com uma sequência definida de posturas, respirações, kriyas, mudras e bandhas.

Nos livros do professor Hermógenes (Autoperfeição com Hatha Yoga, Yoga para Nervosos) existem diversas sequências (de Hatha Yoga) já prontas para praticarmos, e são específicas (ex.: sequência para aquietar a mente, para fortalecer o joelho, e assim por diante). Existem também sequências de acordo com a fase da vida (criança, adolescente, adulto, idoso) e também com relação ao sexo (alguns ásanas são muito bacanas para as mulheres, principalmente para a Menopausa, regulação hormonal em geral, menstruação etc). Vale a pena conferir os livros desse grande exemplo.

Podemos dividir os Ásanas em diversos “grupos”, por assim dizer:

- Posição do corpo:
  • Em pé
  • Sentado
  • Deitado
  • Invertido

– Posição da coluna:
  • Neutra
  • Flexão Lateral
  • Flexão para frente
  • Flexão para trás
  • Rotação

– Ação sobre os músculos:
  • Braços
  • Pernas
  • Abdômem
  • Costas
  • Pescoço

– Ação para Flexibilidade:
  • Ombros
  • Virilhas e quadris
  • Joelhos


Além dessa parte física, com a separação nos quatro grandes grupos acima, também podemos pensar no ásana como uma “postura” de nós próprios com relação aos acontecimentos e situações que a vida nos trás.

- Qual a postura que devo adotar para cada acontecimento da vida?

- Como me comportar quando as coisas não saem do jeito que eu imaginava?

- Qual minha reação perante as coisas que não controlo?

- Quanto de tensão estou gerando (em meu corpo) quando algo de fora está desconfortável?

Com a prática dos ásanas, podemos extrapolar a prática no “tapetinho” para a vivência social, familiar e assim por diante.

É interessante observar algumas correspondências: se quero encontrar uma solução para um problema (que até então, não consigo visualizar), posso praticar torções, pois elas proporcionam um olhar sob outro ângulo (“torcido”, não natural). Se tudo, em minha vida, parece estar de ponta cabeça, errado, se estou insatisfeito com o meio em que vivo, posso praticar invertidas. Às vezes, observar o mundo de ponta cabeça (quando estamos em um ásana de inversão) é o que pode nos trazer as respostas para questões que colocamos a nós mesmos, naquele momento da vida. 

Esses são exemplos de reflexões que a prática de ásanas pode proporcionar.

Agora, como dizem no Ashtanga Yoga: 99% prática, 1% teoria.

Que a prática seja iniciada !!


Dúvidas, não deixem de entrar em contato. 

Namastê. 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Yoga, Alimentação e a Maratona de São Paulo 2017


Vista da largada - Parque Ibirapuera

Desde que comecei os treinos para a Maratona Internacional de São Paulo, ocorrida no último domingo (09/04/17), data mais que especial, pois é aniversário da minha querida mãe, eu já não consumia nada de origem animal há um ano e quatro meses, sendo que sou vegetariano há mais de uma década.

Bem, quando comecei com a questão dos treinos, eu já me sentia muito bem, e muitos me perguntavam como eu conseguia fazer treinos de tantos quilômetros sem comer carne? Esse é, certamente, um dos mitos mais interessantes – por assim dizer – que ouvimos por aí.

A questão, apesar de ser um mito (de fato, uma piada), não pode ser deixada de lado. Muitos param de comer carne e, mesmo sem fazer exercícios intensos como treinos para Maratonas, ficam doentes... Mas então, por que? Porque comem de forma errada: quantidades erradas e alimentos escassos, o que ocasiona, por óbvio, falta de nutrientes no organismo.

Para uma alimentação correta, balanceada, faz-se necessário um acompanhamento com alguém que entende do assunto. No meu caso, o que fiz para melhorar MUITO meu rendimento nos treinos, e que certamente me fez conseguir atingir meu objetivo domingo passado, foi a orientação certeira da nutricionista Gláucia Albertoni, que além de ter a formação em Nutrição é Bioquímica é também vegana, like me

As práticas de Yoga, por sua vez, me trouxeram diversos benefícios: fisicamente, preparei meus músculos e estruturas todas (principalmente ligamentos, tendões e articulações) através das posturas (ásanas) e, psicologicamente, fiz o preparo através de respirações, relaxamentos e meditação. Todo esse conjunto da prática é muito completo, o que me deixou muito confiante e preparados para todos os treinos e para a prova final em si. 

Os treinos foram intensos, três vezes na semana, numa planilha maluca de quilômetros a serem cumpridos, para que o meu corpo fosse “levado” a um patamar que o deixasse preparado para a prova final – os quarenta e dois intermináveis quilômetros. Os treinos, somados à prática do Yoga e à disciplina alimentar, fizeram com que eu conseguisse realizar a prova de maneira muito bacana: dizer que não teve sofrimento seria mentira de minha parte, mas a diversão da corrida e os aprendizados que levamos para a vida toda a partir de então, me fazem QUASE esquecer das dores ocasionadas pelo grande esforço. Ao final, eu estava cansado e com dores, mas a resiliência, o emocional, a maturidade, e muitos outros fatores, tornaram-me uma nova pessoa.

Seria, de certa forma, impossível de se transcrever em palavras tudo que senti e aprendi com a realização desse sonho, porém algumas coisas ficaram muito claras para mim:

- Nunca duvide de si mesmo
- Trace seus planos e os siga, NO MATTER WHAT
- Não de ouvidos à torcida, muitas vezes a torcida é contra você
- Cuide de seu corpo, sua saúde física e mental
- Cuide de sua alimentação, é imprescindível
- Sempre que possível, consuma alimentos orgânicos
- Descanse e tenha momentos de “fazer nada”
- Sua vitória depende apenas de você, a responsabilidade do sucesso é 100% sua
- Quando tiver vontade de parar ou desistir de seu sonho, não o faça
- E claro, pratique Yoga! 


A alimentação saudável me permite viver livre das toxinas da carne, dos hormônios e antibióticos e todas as outras porcarias que são injetadas nos animais. Isso colabora não apenas para ter conquistado a marca dos 42 km, como também para seguir minha jornada em liberdade física, mental e espiritual, GOOD KARMA.

Respeito todas as formas de viver (desde que não acarrete problema ao próximo), porém ouvir que “temos que consumir carne...” é algo inaceitável. A informação está disponível a todos e bastam alguns poucos estudos para se entender que isso é meramente fruto da indústria e dos costumes.

Estamos aqui (na Terra) para melhorarmos como seres, e isso implica – além de muitas coisas – em vivermos de maneira harmoniosa com nós mesmos, com os animais, com a natureza.
Sigo a vida, com práticas e treinos juntamente com minha alimentação livre de tudo que seja de origem animal – e minha saúde vai muito bem, obrigado ! 


Eu (exausto) e a mama aniversariante!


Abraços, Namastê ! 

sábado, 7 de novembro de 2015

A Paz das Coisas Selvagens



“Quando o desespero com as coisas do mundo cresce, e ao menor ruído noturno eu acordo amedrontado com relação à minha vida e à vida dos meus filhos, eu vou e me deito onde o cisne repousa com beleza na água, e onde a garça se alimenta. Eu penetro na beleza das coisas selvagens que não consomem suas vidas cultivando pensamentos sombrios. Entro no estado de calmaria da água. E sinto que acima de mim as estrelas esperam com sua luz a invisibilidade do dia. Por um tempo eu descanso na graça do mundo, e sou livre." 

Wendell Berry

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Resultados rápidos e a cultura da pressa




Vez por outra, gosto de ouvir as músicas que eu usava nos meus primeiros “treinos” de corrida, há alguns anos. A primeira delas, durava menos de três minutos e meio – eu não chegava nem na metade da música correndo (tinha que alternar entre corrida e caminhada). 

Após algumas semanas, eu consegui evoluir para uma música com duração em torno de sete minutos – ah, que evolução deliciosa... Quando cheguei em 7 ou 8 minutos, já não precisava alternar caminhada com corrida, portanto eu só corria (sem precisar parar ou caminhar). 

Hoje, passados dois anos do início dos treinos, participo de provas com mais de uma hora (10km ou mais) com certa tranquilidade e, importante destacar, tenho várias playlists muito bacanas para ouvir nos quilômetros a serem transpassados. Mas não me esqueço das primeiras músicas !! 

O que percebo é que as pessoas buscam resultados rápidos para questões que, nem sempre, são possíveis de serem tratadas em curto prazo. A cultura da pressa ficou estabelecida e espalha-se por todos. Muitos perderam a perseverança, o foco e a dedicação para conseguirem algo. 

Exemplo disso é a pessoa que tem determinada dor física por cinco anos e, quando inicia as práticas de Yoga (muitas vezes, por indicação do próprio médico), quer ter sua dor “curada” em poucas aulas. Outro clássico exemplo são pessoas que tomam anabolizantes. Ou ainda aqueles que tomam drogas para obter a fuga da realidade em que vivem, ou sentir o prazer imediato etc. A lista é longa, todos nós podemos enumerar exemplos do tipo. 

Um dos fatores complicantes de se viver na cultura da pressa é que nosso corpo - e até mesmo a própria vida - não funciona assim. Todo processo tem um tempo de início, outro para crescimento, depois maturação, até chegar ao fim (afinal, tudo que é material acaba). 

Para se atingir os objetivos traçados, deve haver preparação, perseverança, reavaliação de conceitos, flexibilidade e tudo que possa contribuir para o caminho a ser trilhado até o objetivo final. 

Observam-se tantas promessas de resultados rápidos: ganhos financeiros incríveis em jogos de azar, investimentos promissores, além das famosas dietas e shakes milagrosos, entre outros. Mas cuidado, a prudência e o discernimento precisam ser exercitados para que decisões corretas sejam tomadas. Só assim o caminho até o resultado a ser alcançado pode ser suave e harmônico. 

O que te move? Quais as ações que você faz diariamente para seguir seu caminho que você mesmo traçou? 

A pior situação é para os que não têm objetivo(s) claros. Estes precisam de uma reavaliação completa de si para traçar um plano, um caminho a seguir. Sem objetivos, todos os dias são iguais, vive-se num passado (ruim) e num futuro que não existe. Os anos passam e nada acontece. É ficar em constante aguardo da tão esperada sexta-feira. É estar na corrida dos ratos, na roda-viva, sem fim.

Não acredite em resultados rápidos. Esforce-se, dedique-se. O melhor caminho não é o mais curto, mas também não precisa ser o mais árduo. Atente-se para a cultura da pressa e não a siga. Lembre-se que a árvore mais forte é aquela com as raízes mais profundas, e isso não se consegue de um dia para o outro. 

Om Shantih. Paz. 

Namastê.  

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Prática de Meditação


Novidade no Yoga Sorocaba !! 

Toda quinta, uma oportunidade de silenciar, voltar-se a Si Mesmo e experimentar o mergulho na Paz. 

Inscrições abertas, vagas limitadas. 


Namastê.